domingo, 29 de outubro de 2017

Os Meios de comunicação modernos, a desinformação e seu respectivo lucro

Se fizermos uma comparação entre os dias atuais e meados do século XIX, veremos que, hoje, qualquer jovem pobre do Brasil, tendo apenas um smartphone e uma conexão com a internet  (própria, publica ou do vizinho), pode ter acesso a um conhecimento antes só disponível a um burguês que foi estudar na Europa.
Mas o que deu errado, que hoje, ao invés de uma geração predominantemente esclarecida pela ciência, vemos grupos afirmando que terra é plana, dicotomias politicas ou no melhor (ou pior) dos casos  a ignorância ou desinteresse totais?
Durante o evento em que ele recebeu o título de doutor honoris causa em comunicação e cultura na Universidade de Turim, norte da Itália, o escritor Umberto Eco afirmou que as redes sociais deram voz a uma "legião de imbecis", que antes "falavam em um bar depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a coletividade".
A estrutura das redes sociais permite que um discurso atraente se propague por entre os usuários. Conforme a teoria memética, ideias tendem a se propagar tal como os genes e as que melhor se saem nisso, ou seja, as que infectam o maior número de pessoas, não são as mais benéficas ou as que estão mais de acordo com a realidade natural do nosso mundo e sim as mais atraentes aos humanos que as servirão hospedeiros.
A teoria da evolução de Darwin conseguiu se propagar porque foi publicada depois de ser aceita como ciência por uma comunidade científica. Caso fosse absurda e sem lógica como, por exemplo, a afirmação atual de que a terra é plana, ela nunca viria à tona e nós não faríamos ideia de quem é Darwin. Mas atualmente as redes sociais permitem qualquer pessoa escrever qualquer coisa e isso está disponível a qualquer internauta de qualquer lugar do mundo e se a ideia for vista e atraente se replicará entre um grupo ( uma idéia não costuma ser aceita por todos absolutamente).
No YouTube em especial, uma pessoa que não é formada em economia, biologia, história,etc. pode ter um canal e utilizar argumentos biológicos, econômicos e históricos para defender seu ponto de vista. E isso acontece bastante, não de maneira modesta se limitando à um argumento que ele realmente domina, mas se pondo na condição de um professor ensinando seu alunos ( seguidores da rede social). Quem já esteve numa faculdade sabe o quanto são complexas as ciências e porque um economista tem que ser formado em economia ou um médico em medicina.
Uma pessoa leiga ensinando uma ciência,  confunde a realidade natural observada com o que ele e sua ideologia gostariam que fosse a realidade.
Soma-se a isso as pseudociências, falácias, teorias da conspiração discursos de ódio sem lógica, etc. Essas coisas estão tem uma vantagem colossal sobre a ciência, pois são fáceis de entender, são convenientes ao pensamento de um grupo e não necessitam de todo o tempo e estrutura acadêmicas para serem expostas ao público. Por exemplo: a pseudociência do design inteligente, dá razão ao pensamento religioso, a vida tem uma razão e leva à algo. A ciência contrasta com esse "otimismo" existencial e é dificilmente digerida por esse tipo de pessoa.
O dinheiro é também um bom motivo para ser um influenciador digital, reproduzir em uma rede social ideias tolas, que como dito estão se replicando facilmente pela sua atração, o indivíduo se torna em voga e ganha um bom dinheiro com publicidade e anúncios. Isso pode-se dar intencionalmente ou ao acaso, mas o fato é que cada vez mais pessoas tem a intenção de ganhar dinheiro com sua rede social. Para chegar a isso o meio mais utilizado é a apelação.
Nos vídeos em alta no YouTube, estão principalmente, vídeos de comida gigante, uma faca aquecida cortando coisas rígidas, pessoas se expondo ao ridículo, pessoas constrangendo as outras,etc. Essa apelação não é nenhuma novidade da internet, sempre vimos no Silvio Santos as mulheres tomando ovadas pra ganhar dinheiro. Apelação sempre esteve presente no show Business. Mas as redes sociais são mais democráticas, hoje idiotas dispostos as coisas mais baixas por dinheiro tem muito muito mais espaço e meios para isso. Mas a preocupação principal remete ao começo do texto: A ironia de uma sociedade que apesar de cada vez mais ter acesso a tecnologias sofisticadas e  ter na palma da sua acesso a conhecimento que os pode tornar pessoas igualmente sofisticadas, está cada vez mais próxima de uma verdadeira "idiocracía" (recomendo a todos assistir o filme).

Os Meios de comunicação modernos, a desinformação e seu respectivo lucro

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